Em momentos de tanto obscurantismo, onde a imposição da vontade muitas vezes se sobrepõe ao diálogo, os trabalhadores organizados e comprometidos com a nossa Petrobrás dão o exemplo de que por meio do debate podemos avançar (em especial nas questões de segurança e saúde dos empregados). Contudo, para isso de fato acontecer, espaços de construção coletiva precisam ser desenvolvidos e, além disso, alguns gestores da companhia precisam entender que quando o Sindicato estampa em seu jornal uma denúncia, o objetivo é alertar os trabalhadores e principalmente buscar saídas que possam ajudar na proteção de todos que de alguma forma estão inseridos em nossa comunidade.

Após a denúncia dos trabalhadores, com instalações comprometidas e o risco iminente à segurança de todos, foi noticiado em fevereiro deste ano o caso do afundamento do piso da Estação de Tratamento de Água (ETA), na Replan. O problema já tinha começado há alguns meses na região onde fica o soprador, a área estava sequer isolada e os operadores seguiam tendo de acessá-la rotineiramente em suas atividades.

Diante da gravidade dos relatos, a direção do Sindicato buscou a gerência da Replan e em reunião no dia 8 de março, foi informado que a manutenção da área seria iniciada em abril deste ano e que o atraso na recuperação se deu pela ruptura do contrato com a AutVale. Apesar de sabermos que a situação não era nova, a empresa afirmou que a inspeção de equipamento vinha acompanhando a situação e que não existia risco de colapso.

Felizmente, a gerência da Replan iniciou o processo de recuperação da área citada com o envolvimento de diversos trabalhadores da Engenharia e Suporte Operacional (ESTO), Transferência, Estocagem e Utilidades (TEU/UT) e Segurança Meio Ambiente e Saúde (SMS) em busca de diagnosticar e, principalmente, construir soluções que possibilitassem a resolução dos problemas sem o comprometimento da segurança dos envolvidos. Depois de meses de dedicação das equipes próprias e terceirizadas, finalmente os trabalhos foram concluídos no fim de agosto deste ano.

É importante dizer que a AutVale foi uma das empresas contratadas nessa nova realidade da companhia e que, assim como tantas outras fizeram no passado, venceu a concorrência por um valor mínimo e no fim abandonou o contrato e inúmeros trabalhadores sem pagar seus devidos direitos. De outro lado, a dedicação dos profissionais próprios na fiscalização permitiu que os trabalhos fossem feitos e acompanhados da melhor maneira possível, algo que também está em risco com a proposta de retirada do ACT das clausulas que desobrigam a fiscalização por trabalhadores próprios, muito menos sujeitos a eventuais pressões. A contratação da empresa terceirizada também levou em consideração a sua capacidade de realizar o trabalho e contou com profissionais experientes e que conheciam muito bem a Replan, esse conjunto foi essencial para a conclusão dos trabalhos.

Situações como essa demonstram que a única saída para a preservação das melhores condições de trabalho e, principalmente, do respeito à vida das pessoas é o diálogo constante e a consideração às posições dos trabalhadores. Apenas um ambiente no qual as demandas são ouvidas e tratadas pode de fato construir soluções para a Petrobrás continuar sendo uma empresa que tanto orgulha o povo brasileiro. Contratos bem feitos e fiscalização própria são instrumentos essenciais para a garantia de bons trabalhos em obras complexas como essa na ETA.

Parabéns aos envolvidos e que o exemplo sirva à alta administração da companhia! Os trabalhadores estão organizados e sempre saberão dar uma resposta, mas em muitos casos, o debate pode resolver os problemas do dia a dia.

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